Gravidez com Fatores de Risco

Um acompanhamento mais criterioso, para você se sentir mais segura e tranquila.

O acompanhamento da mãe e do bebê durante a gestação é fundamental para cuidar da saúde, do bem-estar e do desenvolvimento de ambos neste período tão mágico e de tantas expectativas, em todos os casos de gravidez. Mas existem aqueles casos que precisam de um olhar mais frequente e criterioso no pré-natal: a gravidez de alto risco.

O pré-natal de gravidez de alto risco é feito nas seguintes condições:

  • Mulheres com doenças crônicas prévias ou durante a gestação, como hipertensão, diabetes, lúpus, doenças neurológicas, cardíacas e trombose.
  • Mulheres que tiveram uma gestação anterior de alto risco, como hipertensão na gravidez, abortos de repetição e descolamento prévio da placenta, por exemplo.
  • Mulheres em que, no decorrer da gestação, seja identificada uma condição que ofereça risco para a mãe ou para o bebê, como diabetes, pré-eclâmpsia ou trombofilia.
  • Quando, na gestação, alterações no processo de coagulação sanguínea possam provocar a formação de coágulos dificultando ou até impedindo que o sangue materno chegue ao bebe, por alterações na placenta, causando risco ao desenvolvimento do feto.

Muitas vezes, o pré-natal de gestação de alto risco exige consultas mais frequentes com o obstetra e o acompanhamento de um especialista na condição de saúde da gestante. Nestes casos, o tratamento do especialista deve estar alinhado com as orientações do obstetra.

Trombofilia e Gestação

A Trombofilia é definida como uma tendência aumentada à formação de coágulos nas veias ou artérias e decorre de alterações da hemostasia que determinam a predisposição à trombose.

Na gestante, o sistema hemostático é fundamental no estabelecimento e manutenção da gravidez. O desenvolvimento da circulação placentária é assegurado pelas modificações estruturais das artérias espirais e por um estado de hipercoagulabilidade, induzido pela própria gestação, o que resulta num aumento dos fatores coagulantes e diminuição dos fatores anticoagulantes e da fibrinólise.

As alterações da hemostasia que predispõem à trombose podem ser congênitas, caracterizadas por alterações genéticas e herdadas por familiares, ou adquiridas, causadas por situações que alteram a hemostasia.

As pacientes que apresentam maior risco de trombose têm sido consideradas como portadores de um estado de hipercoagulabilidade, e podem ser divididas em duas categorias:

Primária ou Hereditária

Inclui os indivíduos adultos jovens, com tendência trombótica geneticamente determinada (o paciente apresenta um defeito em um dos principais mecanismos de anticoagulação natural):

  • Mutação do Fator V de Leiden – (G1691A)
  • Mutação do gene da protrombina – (G20210A)
  • Deficiência da Antitrombina III
  • Mutação C677T e A1298C do gene da MTHFR (metilieno tetrahidrofolato redutase)
  • Aumento da homocisteina
Secundária ou Adquirida

Está associado a um grupo heterogêneo de anormalidades, nas quais parece haver um risco aumentado para o desenvolvimento de complicações trombóticas quando comparados à população geral.

A SAF – síndrome de anticorpo antifosfolipídeo (síndrome de Hughes) é reconhecida atualmente como a trombofilia adquirida mais comum. Os anticorpos antifosfolipídeos (APL) mais comuns são:

  • Anticoagulante lúpico
  • Anticorpos anticardiolipina
  • Anticorpos antifosfatidilserina

Assim, a trombofilia (adquirida ou herdada) pode oferecer uma série de riscos às gestantes sob esta condição, tais como: aborto de  repetição, óbito fetal, pré-eclâmpsia, RCIU (retardo no crescimento intrauterino), parto prematuro, tromboembolismo materno e HELLP Síndrome .

O tratamento da gestante difere caso a caso. Utiliza-se a heparina de baixo peso molecular e/ou AAS infantil. Durante o uso prolongado de heparina, especialmente na gestação, é importante usar suplemento de cálcio, acido fólico e vitamina D.